São
exatamente quadro dias de chuva em Fortaleza e as pessoas ficam dizendo que o
inverno chegou, ahhh, como eu queria que isso fosse verdade. Mas como uma
pessoa que analisa tudo antes de dizer algo, bem, vejo que na verdade, não
teremos inverno, essas chuvas foram somente uma frente fria estacionada no
estado, e olhem, não foi em todo estado, estacionou no litoral principalmente,
quinta ela está indo embora.
Pareço
uma pessoa insensível ao sofrimento dos nossos irmãos do sertão, mas é o
contrário, me doí muito ver pessoas sofrendo, pessoas passando dificuldades,
mas não é por sentir isso que vou mentir, pois o Ceará possuí em seu território
incrustrado dentro do semi-árido. A caatinga, faz parte da alma do cearense, e
esse mesmo, era para sentir-se privilegiado de ter dentro de seu território um
bioma único no mundo.
O
milagre da mata branca, quando as plantas parecem mortas, sem uma vida se quer,
mas é só cair um pingo de água, e ela floresce como uma flor em seu maior esplendor,
trazendo vida, alma, coragem ao sertão, e tudo parece ser um oásis dentro de
uma paisagem de filme de guerra.
Mas
por que vivendo dentro desse território, o cearense ainda sofre as consequências
da seca? Bem isso é muito fácil responder, seca gera votos, fome, sede, e falta
de expectativa, deixa o povo preço aos que lhes dão migalha. Mas esse povo tão
inteligente, cheio de garra, e que tem como ninguém amor a sua terra, saindo
dela somente quando do chão não sai nem mais areia vermelha, somente a rocha
fica a olhar para o sertanejo, triste e choroso de ter que deixar seu chão.
O
Ceará passa por secas grandes a cada 100 anos, erro estimado para alguns anos
mais outros menos, no caso, pode ser de 60 a 60 anos, como de 100 a 100 anos,
porém é uma certeza de todos, que de tempos em tempos, a grande seca, vem
assolar a vida do sertanejo. Bem a grande seca que ficou famosa por ser
retratada no livro de mesmo nome, foi a seca de 1915, que não começou em 15 e
sim alguns anos antes.
A
seca do quinze assolou o Ceará como uma furação, mas não rápido como o mesmo,
porém causando um estrago parecido. Período de uma grande emigração, dos
cearenses para o sul, amazonas e outras áreas, fugindo do sol, da falta de água
e principalmente da falta de assistência. Muitos morreram, muitos vieram para
capital, tentando uma vida nova, e encontrando um abandono maior, pois na
capital, o sertanejo não tinha uma terra para plantar, tinha o mar para levar a
tristeza embora, mesmo que ela fixasse em seu coração.
Assim
surgiram as mais antigas comunidades (favelas) da cidade, sendo as mais
antigas, a favela do Pirambu, surgiu na linha da praia do Leste Oeste, hoje é
conhecida como o Grande Pirambu, que abriga cerca de cinco bairros, outra
favela que surgiu na época foi a favela da Comunidade da draga, que se
desenvolveu na foz do riacho Pajeú, onde era antigamente o porto de Fortaleza,
na ponte metálica, hoje conhecida como ponte velha, que está abandonada pelo
poder público.
Hoje,
o que falar? Passamos por mais um período de grande seca, quase quatro anos sem
quadro chuvoso e aprendemos alguma coisa com a grande seca do quinze? Não! Não aprendemos
nada, na verdade o povo, ahh, o povo, continua a ser iludido pelos governantes,
que continuam a dar o pão e o circo disfarçados de benefícios sociais, assim o
mesmo acha que tudo melhorou, mas está tudo igual, claro a cem anos não tínhamos
carro pipas, cisternas, e bolsa família. Então podemos concluir que os
sofrimentos não são os mesmos, pois o povo do sertão não precisa mais sair de
sua terra, atrás de água, de vida digna, ele fica no seu canto, vendo as coisas
ficaram igual a cem anos, a terra, ela não muda, pois mesmo que no rosto do
sertanejo a seca não fica visível, o solo do semi-árido, do sertão do Ceará,
mostra, que continua rachada, branca e linda, a espera de ações que não a destrua
e uma chuva que a faça acordar do seu sono de princesa para assim poder mostrar
toda a sua beleza e através do verde trazer bênçãos ao sertanejo, valente,
corajoso e sempre rei de seu pedaço de chão.
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